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A afirmação de que a América é o produto orgânico de uma singular "cultura cristã anglo-americana" ignora o fato mais importante sobre a fundação: a Revolução foi um ato de rejeição da parte "Anglo".
A Declaração de Independência não é uma celebração da linhagem inglesa ou da autoridade herdada. É literalmente uma acusação contra isso. Ela rejeita a monarquia, o governo hereditário, a supremacia parlamentar e a ideia de que os direitos decorrem da tradição, do sangue ou da coroa. Esses eram valores anglos—e os Fundadores romperam com eles deliberadamente.
Sim, a América herdou o direito comum anglo. Mas o direito comum tornou-se o sistema jurídico mais sofisticado do mundo porque foi radicalmente reestruturado na América—através de constituições escritas, revisão judicial, federalismo, poderes enumerados e direitos individuais aplicáveis. Nada disso existia na Inglaterra.
E essa experimentação jurídica não ocorreu em um ciclo etnocultural fechado. Foi realizada por gerações de advogados, juízes e pensadores—muitos deles imigrantes ou filhos de imigrantes—que lutaram pelos princípios constitucionais.
O que torna a América excepcional não é qual grupo étnico os Fundadores eram, mas o que eles construíram: um sistema capaz de unir estranhos em um único povo através da lei em vez da linhagem.
Reduzir a América à ancestralidade é reduzir a Constituição ao folclore. Os Fundadores acreditavam que suas ideias eram universais—ou não teriam arriscado tudo para declará-las assim.
E aqui está uma foto de um dos maiores americanos, o Marquês de Lafayette, que não nasceu na América.

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